domingo, 8 de fevereiro de 2015

CRÔNICAS - DEFINIÇÃO E CARACTERÍSTICAS

CRÔNICAS - DEFINIÇÃO
Crônica é uma narração, segundo a ordem temporal. O termo é atribuído, por exemplo, aos noticiários dos jornais, comentários literários ou científicos, que preenchem periodicamente as páginas de um jornal.
A crônica é, primordialmente, um texto escrito para ser publicado no jornal.
A crônica situa-se entre o Jornalismo e a Literatura, e o cronista pode ser considerado o poeta dos acontecimentos do dia-a-dia. A crônica, na maioria dos casos, é um texto curto e narrado em primeira pessoa, ou seja, o próprio escritor está "dialogando" com o leitor.
CARACTERÍSTICAS DAS CRÔNICAS
- Ligada à vida cotidiana;
- Narrativa informal, familiar, intimista;
- Uso da oralidade na escrita: linguagem coloquial;
- Sensibilidade no contato com a realidade;
- Síntese;
- Uso do fato como meio ou pretexto para o artista exercer seu estilo e criatividade;
- Dose de lirismo;
- Uso do humor;
- Brevidade;
 -É um fato moderno: está sujeita à rápida transformação e à fugacidade da vida moderna.

Crônica: um gênero literário
A crônica, desde sua origem, é um "relato em permanente relação com o tempo, de onde tira como memória escrita, sua matéria principal. Era um "relato cronológico dos fatos sucedidos em qualquer lugar". Com o aparecimento da imprensa e do jornal, tornou-se "Folhetim" e seu primeiro objetivo era comentar e passar em revista os principais fatos da semana fossem eles alegres ou tristes, sérios ou banais, econômicos ou políticos, sociais ou culturais. Em um único folhetim podiam estar, lado a lado, notícias sobre a guerra, uma apreciação do espetáculo lírico que acabara de estrear, críticas às especulações na Bolsa e a descrição de um baile no Cassino.
O folhetim fazia parte da estrutura dos jornais, era informativa e crítica. Aos poucos foi se afastando e se constituindo como gênero literário: a linguagem se tornou mais leve, mas com uma elaboração interna complexa, carregando a força da poesia e do humor.
Ainda hoje há a relação da crônica e o jornalismo. Os jornais ainda publicam crônicas diariamente, mas seu aspecto literário já é indiscutível.
No Brasil, a crônica se consolidou por volta de 1930 e atualmente vem adquirindo uma importância maior em nossa literatura graças aos excelentes escritores que resolveram se dedicar exclusivamente a ela, como Rubem Braga e Luís Fernando Veríssimo, além dos grandes autores brasileiros, como Machado de Assis, José de Alencar, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos (crônicas que vão das reminiscências da infância às experiências adultas).
Características
Assim o fato de ser publicada no jornal já lhe determina vida curta, pois à crônica de hoje seguem-se muitas outras nas próximas edições. Há semelhanças entre a crônica e o texto exclusivamente informativo. Assim como o repórter, o cronista se inspira nos acontecimentos diários, que constituem a base da crônica. Entretanto, há elementos que distinguem um texto do outro. Após cercar-se desses acontecimentos diários, o cronista dá-lhes um toque próprio, incluindo em seu texto elementos como ficção, fantasia e criticismo, elementos que o texto essencialmente informativo não contém. Com base nisso, pode-se dizer que a crônica situa-se entre o Jornalismo e a Literatura, e o cronista pode ser considerado o poeta dos acontecimentos do dia-a-dia. A crônica, na maioria dos casos, é um texto curto e narrado em primeira pessoa, ou seja, o próprio escritor está "dialogando" com o leitor.
OS TIPOS DE CRÔNICA
O cronista pode trabalhar qualquer assunto, basta que tenha talento para fazê-lo. Até a falta de um assunto pode ser um assunto. Cada cronista é singular pelo estilo que apresenta.
1 - Crônica Lírica ou Poética
Em uma linguagem poética e metafórica o autor extravasa sua alma lírica diante de episódios sentimentais, nostálgicos ou de simples beleza da vida urbana, significativos para ele. Como em Brinquedos Incendiados, de Cecília Meireles. Por vezes, esse tipo de crônica é construído em forma de versos poéticos. Contudo, tem-se observado que a crônica lírica ou poética está, cada vez mais, em desuso; devido, provavelmente, à violência e a degradação da vida nas grandes cidades brasileiras.
2 - Crônica de Humor
Apresenta uma visão irônica ou cômica dos fatos em forma de um comentário, ou de um relato curto. Como em Sessão de Hipnotismo, de Fernando Sabino. É uma crônica muito próxima do conto. Procura basicamente o riso, com certo registro irônico dos costumes.
3 - Crônica-Ensaio
Apesar de ser escrita em linguagem literária; ter um espírito humorístico e valer-se, inclusive, da ficção; este tipo de crônica apresenta uma visão abertamente crítica da realidade cultural e ideológica de sua época, servindo para mostrar o que autor quer ou não quer de seu país. Aproxima-se do ensaio, do qual guarda o aspecto argumentativo. Paulo Francis e Arnaldo Jabor são dois grandes representantes desse tipo de crônica. Como exemplo, cito: Reality Show, de Marcelo Coelho.
4 - Crônica Descritiva
Ocorre quando uma crônica explora a caracterização de seres animados e inanimados, num espaço vivo, como numa pintura; viva como uma pintura; precisa como uma fotografia ou dinâmica como um filme publicado.
5 - Crônica Narrativa
Tem por base uma história - às vezes, constituída só de diálogos - que pode ser narrada tanto na 1ª quanto na 3ª pessoa do singular. Por essas características, a crônica narrativa se aproxima do conto; por vezes até confundida com ele. É uma crônica comprometida com fatos do cotidiano, isto é, fatos banais, comuns. É uma história curta; narra os acontecimentos em ordem cronológica; desenvolve os elementos da narrativa; desperta a imaginação do leitor.
 Não raro, a crônica narrativa explora a caracterização de seres. Quando isso acontece temos a crônica narrativa-descritiva.
6 - Crônica Dissertativa
Opinião explícita, com argumentos mais "sentimentalistas" do que "racionais" - em vez de "segundo o IBGE a mortalidade infantil aumenta no Brasil", seria "vejo mais uma vez esses pequenos seres não alimentarem sequer o corpo". Exposto tanto na 1ª pessoa do singular quanto na do plural. -
7 - Crônica Reflexiva
Reflexões filosóficas sobre vários assuntos. Apresenta uma reflexão de alcance mais geral a partir de um fato particular.
8 - Crônica Metafísica
Constitui-se de reflexos filosóficos sobre a vida humana.
9 - Crônica Lírica: Linguagem poética e metafórica. Expressa o estado de espírito do ser.
10 - Crônica Poética: Crônica em forma de poema.
11 - Crônica Jornalística: Apresentação de aspectos de notícias e fatos. Pode ser policial, esportiva ou política.
12 - Crônica Histórica: Baseada em fatos da história. Pero Vaz de Caminha - 1º CRONISTA
INDICAÇÃO DE CRÔNICAS PARA LEITURA
- “Ter um restaurante” de Ivan Ângelo, publicada na Revista Veja, em 30 de julho de 2003
 - “Cuide-se, primavera” De Ivan Ângelo, publicado na Revista Veja, em 24 de setembro de 2003
- Sítio do Ferreirinha – no livro “As Mentiras que os Homens Contam” de Luis Fernando Veríssimo.
- “Ser Brotinho” - Paulo Mendes Campos  “Ser Brotinho”
- "Comédia para se Ler na Escola", Luiz Fernando Veríssimo, Editora Objetiva.
- "Comédia para se Ler na Escola", Luiz Fernando Veríssimo, Editora Objetiva.
- "Para Gostar de Ler: Crônicas", Vários autores (volumes 5 e 7), Editora Ática.
- "Sobre a Crônica", Ivan Ângelo, Revista Veja São Paulo, 25 de abril de 2007.
http://www.rubemalves.com.br/escoladaponte1.htm
http://www.rubemalves.com.br/escoladaponte2.htm
http://www.rubemalves.com.br/escoladaponte3.htm
http://www.rubemalves.com.br/escoladaponte4.htm
http://www.rubemalves.com.br/escoladaponte5.htm
http://www.rubemalves.com.br/escoladaponte6.htm
“Abolição”, de Machado de Assis
“Regras de educação no bonde”, de Machado de Assis
“Antigamente”, de Carlos Drummond de Andrade,
“A menininha e o gerente”, de Carlos Drummond de Andrade.
“A consulta”, de Luís Martins, (sobre normalidade)
-“Organiza o Natal”, de Carlos Drummond de Andrade.
“A sombra das chuteiras imortais — crônicas de futebol –– Nelson Rodrigues, São Paulo, Companhia das Letras
• As melhores crônicas de Rubem Braga –– Rubem Braga, Rio de Janeiro, Global
• Para uma menina com uma flor –– Vinicius de Moraes, São Paulo, Companhia das Letras
“Uma carta”, Rachel de Queiroz
“Abolição”, de Machado de Assis
“Não as matem”, de Lima Barreto
EXISTEM MILHARES DE CRÔNICAS ESPERANDO POR VOCÊS! BOA LEITURA
CRÉDITOS: Massaud Moisés, A Criação Literária.
Eduardo Portela, Visão Prospectiva da Literatura Brasileira.
Assis Brasil, Vocabulário Técnico de Literatura.
http://www2.tvcultura.com.br/aloescola/literatura/cronicas/caracteristicas.htm
http://www2.tvcultura.com.br/aloescola/literatura/cronicas/caracteristicas.htm
    1 - Afrânio Coutinho - "A literatura no Brasil" - Volume III - RJ: Livr. São José, 1964.
    2 - Davi Arrigucci Jr. - "Fragmentos sobre a crônica" - Folha de São Paulo, 01/05/87.
    3- João Roberto Faria no prefácio (Alenaar conversa com os seus leitores) de "Crônicas escolhidas - José de Alencar" - São Paulo: Ed. Ática e Folha de São Paulo, 1995.

    4 - Antônio Cândido no artigo "A vida ao rés-do-chão".

4 comentários:

  1. Muito obrigada foi a única coisa útil que consegui achar e isso que revirei a internet toda
    Mariza vc me salvou te amo

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  2. Parabéns pela qualidade e clareza das informações. Abraços Mariza.

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  3. Q U A L I D A D E E C R Ô N I C A

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